Paul McCartney – the time rediscovered / o tempo redescoberto / il tempo ritrovato

Paul McCartney - Porto Alegre

For every child, it comes that day in which the heroes are no more characters in books or television series, the day when a person of flesh and blood, and who is not part of his family, becomes his first idol. Yesterday, Paul McCartney reminded me of many things, and also made me reflect on what makes an artist (and there are many) become an idol and, more than that, a living legend. – Read in English.

Para toda a criança chega aquele dia no qual os heróis deixam de ser personagens de livros ou de seriados da TV, chega o dia em que uma pessoa de carne e osso, que não é de sua família, se torna o seu primeiro ídolo. Ontem, Paul McCartney me fez lembrar tanta coisa e, também, me fez refletir sobre o que faz de um artista (e há muitos) um ídolo e, mais do que isso, uma lenda viva. – Leia em Português.

Per ogni bambino arriva quel giorno in cui gli eroi non sono più personaggi di un libro o di una serie televisiva, quel giorno in cui una persona in carne e ossa, che non fa parte del suo nucleo famigliare, diventa il sui primo idolo. Ieri Paul McCartney mi ha riportato alla mente tanti pensieri e mi ha anche fatto riflettere su cosa renda un artista (e di artisti ve ne sono parecchi) un idolo e, ancora di più, una leggenda vivente. – Leggi in italiano.

Paul McCartney – the time rediscovered

by Suzana Gutierrez

dedicated to Piero, Ignazio and Gianluca!

Paul McCartney - Porto AlegrePorto Alegre, October 13th, 2017 – For every child, it comes that day in which the heroes are no more characters in books or television series, the day when a person of flesh and blood, and who is not part of his family, becomes his first idol. Yesterday, Paul McCartney reminded me of many things, and also made me reflect on what makes an artist (and there are many) become an idol and, more than that, a living legend.

As I listened and vibrated with each song, along with almost 50,000 people, I went back in time to the day when, in my childhood, I stopped playing and cut out the photo of four guys and pasted it into an album. I was still far from records and stereos, I used to play with the sound of the radio: I Want to Hold Your Haaaaaand.
My first idols … My favorite was the shy George, but I do not know why I baptized my mouse as Paul. (ah childhood …, sweet time in which a woman can feel comfortable with mice)

The Beatles lasted the time of my childhood, but John, Paul, Ringo and George followed, each one in his own way, careers that, even if they didn’t repeat the stratospheric success of the Beatlemania, they gave to the world all the things that good music can give. The search for life within life, the paths of spirituality, the critical thinking about the things of our time, lightness, joy, love, but also pain and fight.

Paul McCartney brought it all back yesterday and more. He brought the hope that life is life (and it is beautiful, as a Brazilian poet said), he brought the tranquility of the continuity, which before being sameness is the continuity of our power to transform things. Along with the thousands of gray hair people that filled the Beira Rio Amphitheater, he showed to the thousands of young people who were also there that the world wasn’t born yesterday, that today’s story does not exist without the many stories that preceded it.

I am happy I could finally meet you, Paul! And to realize that the best thing you could give me was already inside me. If everything started rainy and sad last night, at the rhythm of those who go to the concerts alone, I remembered that you sang this:

The wild and windy night
That the rain washed away
Has left a pool of tears
Crying for the day
Why leave me standing here
Let me know the way

The same night in which the storm that had punished Porto Alegre over the past three days suddenly stopped, this same night reminds us that:

When you were young and your heart was an open book. You used to say live and let live… (You know you did) But if this ever changin’ world in which we live in makes you give in and cry.. Say live and let die! Live and let die…

And makes us understand that:

And when the night is cloudy
There is still a light that shines on me
Shine on until tomorrow, let it be…

And believe that our light only needs to shine one day at a time, or even just once in a while, because what illuminates the world is the sum of our lights. Like the constellation of stars that illuminated the arena yesterday.

All this made me think of my most recent loves: Piero, Ignazio and Gianluca, people who have everything to follow the path of a Paul McCartney with talent and inner strength. Hey, guys! Each day it will be easier to look beyond what is very close to what our fear limits. It will be time to look at the abyss with freedom and courage, to spread your wings and truly fly.

Paul, thank you for your music. The music that drew your life and that also was (and is) the soundtrack of our lives. You have shown us what a great and true idol is made of. He is made of courage, simplicity, hope, truth, empathy. In three hours of show, you showed that old is who uses “old” as synonymous of things that should no longer exist. Sometimes it is necessary to be old enough to have the detachment and the wisdom to return to the stage carrying flags of diverse ideals, precisely to show that what unites us goes far beyond of the country where we were born, to show also that possibly our true homeland, the things that defines us, is the rainbow of diversity that characterizes us.

See you soon!

Paul McCartney – o tempo redescoberto

por Suzana Gutierrez

dedicado à Piero, Ignazio e Gianluca!

Paul McCartney - Porto AlegrePorto Alegre, 13 de outubro de 2017 – Para toda a criança chega aquele dia no qual os heróis deixam de ser personagens de livros ou de seriados da TV, chega o dia em que uma pessoa de carne e osso, que não é de sua família, se torna o seu primeiro ídolo. Ontem, Paul McCartney me fez lembrar tanta coisa e, também, me fez refletir sobre o que faz de um artista (e há muitos) um ídolo e, mais do que isso, uma lenda viva.

Enquanto ouvia e vibrava com cada canção, em uníssono com quase 50.000 pessoas, voltei no tempo, ao dia em que no meio das brincadeiras de criança, recortei a foto de quatro artistas e colei num álbum. Longe ainda de discos e aparelhos de som, eu brincava ao som do radio: I Want to Hold Your Haaaaaand.
Meus primeiros ídolos… Meu preferido era o quietinho George, mas sei lá por quê batizei o meu ratinho de Paul. (ah a infância…, doce tempo em que uma mulher pode se sentir confortável com ratos)

Os Beatles duraram o tempo de minha infância, mas John, Paul, Ringo e George seguiram, cada um do seu modo, carreiras que, se não repetiram o sucesso estratosférico da Beatlemania, legaram ao mundo tudo o que a boa música pode dar. A busca pela vida dentro da vida, os caminhos da espiritualidade, o pensamento crítico sobre as coisas do nosso tempo, a leveza, a alegria, o amor, mas também a dor e o protesto.

Paul McCartney trouxe tudo isso de volta ontem e muito mais. Trouxe a esperança de que a vida é a vida (e é bonita, e é bonita, como disse um poeta brasileiro), trouxe a tranquilidade da continuidade, que antes de ser mesmice é a continuidade do nosso poder de transformar as coisas. Junto com as milhares de cabeças brancas que lotaram o Anfiteatro Beira Rio, mostrou aos outros milhares de jovens que, também, ali estavam, que o mundo não nasceu ontem, que a história de hoje não existe sem as muitas histórias que a precederam.

Feliz de mim que pude finalmente te encontrar, Paul! E constatar que o que de melhor tu poderias me dar já estava dentro de mim. Se ontem a noite iniciou chuvosa e triste, no ritmo daqueles que vão à concertos sozinhos, eu lembrei que você já cantou  isso:

The wild and windy night
That the rain washed away
Has left a pool of tears
Crying for the day
Why leave me standing here
Let me know the way

A mesma noite, na qual a tempestade que castigava Porto Alegre nos últimos 3 dias deu uma trégua, esta mesma noite nos lembra que:

When you were young and your heart was an open book. You used to say live and let live… (You know you did) But if this ever changin’ world in which we live in makes you give in and cry.. Say live and let die! Live and let die…

E nos faz entender que:

And when the night is cloudy
There is still a light that shines on me
Shine on until tomorrow, let it be…

E acreditar que a nossa luz só precisa brilhar um dia de cada vez, ou mesmo apenas de vez em quando, porque o que ilumina o mundo é a soma das nossas luzes. Como a constelação de estrelas que iluminava a arena ontem.

Tudo isso me fez pensar em meus amores mais recentes: Piero, Ignazio e Gianluca, gente que tem tudo para seguir o caminho de um Paul McCartney, com talento e força interior. Cada dia será mais fácil olhar além daquilo que está muito perto, além daquilo que o medo limita.  Chegará o tempo de olhar com liberdade e coragem o abismo, abrir as asas e, de verdade, voar.

Paul, obrigada pela tua música. A música que desenhou a tua vida e que, também, foi e é a trilha sonora da nossa. Você nos mostrou do que é feito um grande e verdadeiro ídolo. É feito de coragem, simplicidade, esperança, verdade, empatia. Em três horas de show, mostrou que velho é quem usa “velho” como sinônimo de coisas que já não deveriam mais existir. Às vezes, é preciso ser velho para ter o desprendimento e a sabedoria de voltar ao palco trazendo consigo bandeiras de ideais diversos, justamente para mostrar que o que nos une vai muito além do lugar em que nascemos, que possivelmente a nossa verdadeira pátria, o que nos define, é o arco-íris da diversidade que nos caracteriza.

Até a próxima!

Paul McCartney – il tempo ritrovato

di Suzana Gutierrez

dedicato a Piero, Ignazio e Gianluca!

Paul McCartney - Porto AlegrePorto Alegre, 13 ottobre 2017 – Per ogni bambino arriva quel giorno in cui gli eroi non sono più personaggi di un libro o di una serie televisiva, quel giorno in cui una persona in carne e ossa, che non fa parte del suo nucleo famigliare, diventa il sui primo idolo. Ieri Paul McCartney mi ha riportato alla mente tanti pensieri e mi ha anche fatto riflettere su cosa renda un artista (e di artisti ve ne sono parecchi) un idolo e, ancora di più, una leggenda vivente.

Mentre ascoltavo e fremevo per ogni canzone, insieme a quasi 50.000 persone, sono tornata indietro nel tempo, a quel giorno in cui, durante la mia infanzia, ho smesso di giocare e ho iniziato a ritagliare le foto di quattro ragazzi per incollarle nel mio album. Ero ancora lontano da registrazioni e stereo, perciò giocavo con la radio, che suonava: I Want to Hold Your Haaaaaand.
I miei primi idoli… il mio preferito era il timido George, ma non so per quale motivo battezzai il mio primo topino “Paul”. (Ah, l’infanzia…, dolce tempo in cui una donna poteva sentirsi a suo agio con un topo).

I Beatles sono durati per il tempo della mia infanzia, ma John, Paul, Ringo e George hanno seguito, ognuno per la propria strada, carriere che, anche se non hanno ripetuto lo stratosferico successo della Beatlemania, hanno regalato al mondo qualsiasi dono che la musica può fare. La ricerca della vita nella vita stessa, i percorsi della spiritualità, i pensieri critici sulla realtà del nostro tempo, la luce, la gioia, l’amore, ma anche il dolore e la lotta.

Paul McCartney è riuscito a riportare indietro tutto ciò, ed è riuscito persino in altro: ha riportato la speranza che la vita sia vita (e che sia bella, come scrive un poeta brasiliano), la tranquillità della continuità, che prima di essere monotonia è la continuità del nostro potere di trasformare la realtà che ci circorda. Insieme alle migliaia di persone dai capelli grigi che hanno riempito l’Anfiteatro Beira Rio, Paul ha mostrato alle migliaia di giovani che si trovavano tra la folla che il mondo non è nato ieri, che oggi la nostra storia non esiste senza le tante storie che l’hanno preceduta.

Sono felice di averti finalmente potuto incontrare, Paul! E sono felice di aver compreso  che il regalo più bello che potessi farmi si trovava già dentro di me. Se la serata è iniziata piovosa e triste, al ritmo di chi va ai concerti da solo, mi sono ricordata che un tempo hai cantato:

The wild and windy night
That the rain washed away
Has left a pool of tears
Crying for the day
Why leave me standing here
Let me know the way

Nella stessa notte in cui la tempesta che aveva punito Porto Alegre per i tre giorni precedenti si era finalmente placata, in quella notte tu ci hai ricordato che:

When you were young and your heart was an open book. You used to say live and let live… (You know you did) But if this ever changin’ world in which we live in makes you give in and cry.. Say live and let die! Live and let die…

E ci ha permesso di capire che:

And when the night is cloudy
There is still a light that shines on me
Shine on until tomorrow, let it be…

E di credere che la nostra luce ha bisogno di brillare un giorno per volta, o anche una volta ogni tanto, perché ciò che illumina il mondo è l’insieme delle nostre luci. Come le costellazioni che hanno irradiato l’arena ieri.

Questi pensieri mi hanno riportato alla mente i miei amori più recenti: Piero, IgnazioGianluca, persone che possiedono tutte le carte in regola per seguire il sentiero di un Paul McCartney con il loro talento e forza interiore. Ehi, ragazzi! Ogni giorno sarà più facile guardare indietro a ciò che si trova vicino, piuttosto che a ciò che la nostra paura ci impedisce di fronteggiare. Sarà il tempo di affrontare l’abisso con libertà e coraggio, di distendere le vostre ali e volare veramente.

Paul, grazie per la tua musica. La musica che ha disegnato la tua vita e che è stata (ed è tutt’ora) la colonna sonora delle nostre vite. Ci hai mostrato cosa rende un grande, vero, idolo quello che è. Un vero idolo racchiude in sé coraggio, semplicità, speranza, verità, empatia. Durante le tre ore del tuo spettacolo, hai dimostrato che vecchio è chi usa la parola “vecchio” come sinonimo per qualcosa che non esiste più. A volte è necessario essere vecchi abbastanza da aver il distacco e la saggezza necessari per ritornare sul palco stringendo in mano bandiere di diversi ideali, per rendere chiaro che ciò che ci unisce va al di là del Paese in cui siamo nati, per far capire che molto probabilmente la nostra vera patria, le particolarità che ci definiscono, sono l’arcobaleno di diversità che ci caratterizzano.

A presto!

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5 thoughts on “Paul McCartney – the time rediscovered / o tempo redescoberto / il tempo ritrovato

  1. Suzana, what a beautiful review of someone close to my heart. The Beatles, all four of them changed the world of music. You did what I never managed to do, see, at least one of them, live! The Lennon and McCartney songs are ageless such talent. Thank you for this! Susan

  2. Suzana, I too saw Paul live. I was in college when I first heard them. They had just invaded North America. I loved them all deeply, but it was Paul whom I loved first. I saw him sing in San Diego in 1976 when he was with his beloved wife Linda and « Wings. ». I was in the third row. I didn’t speak to him but he smiled down at me! Paul is two years older than me. Their music brings back very specific memories. George was such a gentle soul and very spiritual. Losing John was devastating, and then we lost George. Ringo was sweet. Thank you for your beautiful review. Elizabeth

  3. Suzana, I am from England and met the Beatles at a concert there. This was a few months before they came to America.
    They were all so sweet and funny, but Paul has always been my favorite.Not only for his music, but he is an animal rights activist also.
    Thank you for the wonderful review Suzana

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